AS DRAGAS DO RIO MEARIM
- Adenildo Bezerra

- há 5 dias
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Durante décadas, o rio Mearim foi uma via viva de circulação e trabalho em Arari. Lanchas e batelões cruzavam suas águas com regularidade, levando pessoas, alimentos, materiais de construção e notícias rumo a São Luís e a outras localidades ribeirinhas. Para que essa navegação fosse possível, as dragas desempenharam papel decisivo. Eram máquinas a serviço do rio, removendo galhadas, troncos e sedimentos acumulados no leito, abrindo passagem onde a água insistia em se fechar. Não se tratava apenas de um serviço técnico, mas de uma ação que sustentava o comércio, o deslocamento humano e a integração regional.
Com a expansão das rodovias e das ferrovias, o eixo dos transportes foi deslocado para a terra firme, e o Mearim perdeu a centralidade que um dia teve. As dragas, antes essenciais, tornaram-se presenças imóveis nas margens do rio, como se tivessem sido desligadas da própria função histórica.
A interrupção dos investimentos federais consolidou esse abandono, transformando instrumentos de trabalho em estruturas silenciosas. Ainda assim, essas máquinas não são restos inúteis. Elas guardam a memória de um tempo em que o rio organizava a vida econômica e social de Arari. As dragas integram o patrimônio histórico local porque testemunham uma fase em que o Mearim era caminho, sustento e horizonte. Preservá-las não é cultuar ferragens, mas reconhecer que o desenvolvimento do município também se fez sobre a água e que a história de Arari corre, em parte, no leito desse rio.




















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