CEMITÉRIO DE ARARI: CONTEXTO HISTÓRICO
- Adenildo Bezerra

- 11 de jan.
- 3 min de leitura

Para iniciar este artigo sobre o contexto histórico da origem do Cemitério Municipal de Arari, recorro ao relato de Brandt e Silva, que nos oferece um registro significativo desse processo.
Em 1903, Arari recebeu a visita de Dom Antônio Xisto Albano, que chegou à cidade a bordo do vapor gaiola Mearim. A recepção foi solene, organizada pelo povo católico, que o conduziu até a Igreja Matriz. No interior do templo, havia sido preparado um trono episcopal para a ocasião. Logo na entrada, Dom Xisto chamou a atenção dos presentes para a proibição do sepultamento de cadáveres no interior das igrejas, prática ainda comum naquele período. Próximo à porta havia uma sepultura recente, o que motivou a advertência.
Segundo testemunhas da época, registradas por Brandt e Silva, seguiu-se um breve diálogo. Alguém argumentou que Arari não possuía cemitério. O bispo, então, sugeriu que fosse providenciada a construção de um. Diante da alegação de que o município não dispunha de terreno próprio, Dom Xisto teria comentado sobre os belos campos que avistara ao se aproximar da cidade. Há quem atribua que alguém tenha rebatido que “enterrar em campo só se for tua mãe”. Uma resposta ríspida e desrespeitosa nesse momento, mas o próprio Brandt e Silva afirma não acreditar que tal expressão tenha sido dita. O essencial é que, a partir de 1903, os sepultamentos passaram a ser realizados fora da igreja.
De acordo com moradores mais antigos de Arari, o primeiro cemitério teria sido construído na área onde hoje se localizam a Praça da Bíblia e a agência do Banco Bradesco. Com o passar dos anos, esse espaço foi abandonado, provavelmente em razão das constantes enchentes, já que se tratava de uma área baixa e próxima ao rio Mearim. Diante dessas dificuldades, o cemitério foi transferido para o promontório onde se encontra atualmente, o ponto mais alto do perímetro urbano da cidade.
Não há registros precisos sobre qual administrador foi responsável pela construção do cemitério atual. No entanto, há fortes indícios de que a obra tenha ocorrido durante a longa e influente atuação de Antônio Anísio Garcia, possivelmente entre as décadas de 1920 e 1930. Antônio Anísio Garcia exerceu grande poder político em Arari por muitos anos, comandando a administração municipal de forma direta e com ampla influência sobre seus aliados.
Algumas versões atribuem a construção do cemitério à prefeita Justina Fernandes, que governou o município entre 1951 e 1954. Contudo, essa informação não se sustenta. O que se pode afirmar com segurança é que Justina Fernandes foi responsável pela construção dos muros ao redor do cemitério e pela edificação de sua fachada, que permanece de pé até os dias atuais.
No livro “O Passageiro da Aurora”, na página 92, João Francisco Batalha reproduz um recorte do Jornal Relâmpago, no qual se noticia o início das obras no cemitério, à época pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Graça. Segundo a publicação, Antônio Anísio Garcia, em conivência com José Moreira, teria se apropriado do local. Como em muitos episódios da história política de Arari, as narrativas são marcadas por acusações entre grupos rivais. A disputa entre padristas e barriguistas foi intensa e deixou marcas profundas na memória política do município.

Política à parte, o fato concreto é que, nos dias atuais, Arari enfrenta sérios problemas relacionados à falta de espaço no Cemitério Municipal Santa Catarina. A situação exige uma resposta urgente do poder público, seja por meio da ampliação do cemitério existente, seja pela construção de um novo espaço, garantindo dignidade, respeito e cuidado com a memória daqueles que fazem parte da história da cidade.
REFERÊNCIAS
BATALHA, João Francisco. O Passageiro da Aurora: Pe. Brandt prós e contras. São Luís, SEGRAF, 2005, p. 92.
BRANDT E SILVA. Assuntos Ararienses I. Arari. Notícias, 1985, p. 39.




















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