O FESTEJO DE BOM JESUS DOS AFLITOS
- Adenildo Bezerra

- 14 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Tudo começou em 1808, quando o português Lourenço da Cruz Bogéa, com a ajuda de sua esposa, Isabel de Hungria, decidiu erguer uma capela em devoção ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos. O gesto de fé daquele casal deu origem a uma tradição que atravessaria séculos. Poucos anos depois, em 1812, o vigário Inácio Homem de Brito, muito querido e respeitado pelo povo de Arari, concedeu a permissão oficial para o funcionamento da capela, oferecendo também alfaias e paramentos. Foi nesse mesmo ano que aconteceu o primeiro festejo, simples e singelo, celebrado em três dias: de 12 a 14 de setembro.
Com o tempo, o festejo cresceu. Até o início dos anos 2000, mantinha-se como um tríduo, mas depois ganhou a forma de novenas, encerrando-se sempre com a grande procissão do dia 14 de setembro. Hoje, o Festejo de Bom Jesus dos Aflitos é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Maranhão, e continua sendo um dos momentos mais aguardados pelo povo arariense.
Antigamente, a festa tomava conta da cidade de uma maneira especial. Um coreto era montado em frente à Matriz, onde bandas locais animavam as noites antes e depois da missa. As ruas se enchiam de bazares, que vendiam roupas, brinquedos, algodão-doce, maçã do amor, pipoca, balões e comidas típicas, como o famoso sarrabulho e o mocotó. Havia ainda os jogos populares: a barraca da baba da velha, barraca do tiro ao alvo, as argolas e, mais afastados, os jogos de caipira. As famílias, os jovens e as crianças circulavam por entre as barraquinhas, mergulhados naquela atmosfera de fé, encontro e alegria.
Hoje, muita coisa mudou. Os bazares já não existem mais, substituídos pela modernização do comércio. As missas agora são campais, celebradas na praça diante da Igreja Matriz. Atrás dela, na Praça da Santa, algumas barraquinhas ainda resistem, vendendo comidas típicas, e brinquedos infláveis chamam a atenção da criançada. Mas, apesar das mudanças, a essência permanece intacta: o festejo continua reunindo multidões e enchendo os corações de devoção.
E chega, então, o dia 14 de setembro, o ápice da festa. Quando as portas da Igreja se abrem e a imagem do Bom Jesus dos Aflitos aparece para a procissão, a praça se enche de emoção. É impossível não sentir o arrepio da fé que atravessa gerações. Entre cânticos, lágrimas, orações e, agora, muitos celulares, o povo católico de Arari renova sua devoção, carregando consigo não apenas uma tradição, mas um pedaço vivo da própria alma da cidade. O festejo de Bom Jesus dos Aflitos é mais que uma festa religiosa: é fé, é história, é memória e, sobretudo, é emoção.




















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